11 de mar de 2014

Músicas atípicas


Menos de uma dúzia de pessoas dentro do ônibus. Estava sentada no penúltimo banco, no lado em que batia sol. Olhos pesados, fones de ouvido e Baker street tocando no último volume. Tem gosto de saudade. Soa como um passado gostoso. Aquela história que você pode ouvir trinta vezes sem cansar. Seguir ouvindo músicas atípicas faz isso com você, já que um dia, foram suas favoritas. Estiveram na playlist que você clicava sem perceber toda manhã. Ornaram com uma época e isso te dá dó de apagá-las. Não apaga mesmo não. Mesmo que não estejam mais em nenhuma playlist. 
Dois minutos e dez segundos, e, de repente, o ônibus de sempre parece fazer uma rota bem antiga. De umas cinco rotinas para trás.
Uma rotina onde eu me encaixava pelas ruas como essas mulheres de cabelo vermelho (que aparecem cada vez mais por aí), mas com o diferencial dos cachos. Das seis que vi enquanto a tal música tocava, provavelmente uma ou duas não usavam chapinha. Fora o excesso de preto e guitarras na cabeça. Meu incêndio interno acompanhava o incêndio do meu cabelo. O laranja é mais domável. Mas, ah, o wild spirit sempre morou por aqui. Não sai nem com água oxigenada de 40 volumes.
A juba raivosa, o sorriso largo, as batidas cada vez mais aceleradas da bateria, o sol de seis da tarde, o carro a 80km/h, a janela aberta, o vento no rosto, os quinze anos e o mundo gritando na sua cabeça. "A luz na sua cabeça e a morte nos seus pés". Era engraçado ver tantas pessoas, mas não ver ninguém, de verdade. Todo mundo com aquele olhar que te mata pela raiz. Mas não tinha nenhuma raiz em nenhum lugar. Era ambulante, desapegada e sem cinto de segurança.
Me senti meio fria. 'Muito crescida', como diria algumas milhares de pessoas país afora. Não sei se minha avó está incluída. Reparar as pessoas onde não tinha ninguém, sentir o futuro das próximas décadas como se fossem na semana que vem. Sossegar e ter medo, e querer fazer tudo o que perdeu antes de perder mais. Porque daqui a pouco já chegam as próximas cinco rotinas e você ainda não trocou de ônibus.

"Você ainda pensa que é fácil demais
Você costumava dizer que era fácil demais
Mas você está tentando, você está tentando agora"

)

5 comentários:

  1. Que lindo <3 Tem várias músicas que quando você ouve lembra daquele tempo ou daquele dia. Sua escrita é muito sútil Amanda, e eu adoro. É como se eu pudesse te ouvir lendo cada palavrinha que escreve. Parabéns e sucesso (:
    http://viagem-a-terra-do-nunca.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Obrigada! :') Tô chorosa com esse texto. Literalmente chorando com qualquer comentário sobre ele. Socorro

      Excluir
  2. Ahh que sentimento bom, as músicas são ótimas em retomar isso! E escutando essa música lembrei da versão original, do momento, sempre tocava na rádio quando voltava do sítio nos finais de semana, eu sempre dormindo no banco de trás do carro enquanto meu pai corria na pista meio vazia!!

    Obrigada pela lembrança!

    bjs
    http://femmetoilet.blogspot.com

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. :D Nunca quis ouvir a original (FF >>>>>>>>>>>>>>>>>>> tudo AHAHHA) mas vou ouvir :)

      Excluir
  3. Amei esse texto :3 amo sua escrita aliás

    http://pequenamiia.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir

© Conspirantes - 2014. Todos os direitos reservados.
Criado por: Amanda Montt.
Tecnologia do Blogger.
imagem-logoimagem-logoimagem-logo